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ESCREVENDO COMO BIRD E MONK (por Roberto Muggiati)

(publicado originalmente no Estadão, 14/08/2010)

É ingrato escrever sobre jazz. Dificilmente conseguimos traduzir a música em palavras. Há quem consiga. Um deles é o inglês Geoff Dyer, 52 anos, autor do romance "Jeff em Veneza, Morte em Varanasi" (Intrínseca). Dele já saíram no Brasil "Ioga Para Quem Não Está Nem Aí" e "O Instante Contínuo" (sobre fotografia), alé, de "Todo Aquele Jazz" (1991), talvez o melhor livro já escrito sobre o assunto.
Em seu livro de poemas, "México City Blues" (1959), Jack Kerouac dizia: “Quero ser considerado um jazz poeta improvisando um longo blues numa jam session de domingo à tarde.” Kerouac era um “prosodista do bop” e tentava injetar em sua escrita a sintaxe do próprio jazz: as frases velozes e estratosféricas de Bird, os silêncios carregados de significado de Monk. Geoff Dyer investe menos na técnica do jazz e mais em sua emoção. "Todo Aquele Jazz" traz os perfis dos saxofonistas Lester Young,…
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MONTREUX JAZZ FESTIVAL CHEGA BOMBANDO EM SUA 51° EDIÇÃO

por Chico Marques


Fundado em 1967 por Claude Nobs, o Montreux Jazz Festival rapidamente se tornou um grande evento para todos os amantes da música.

Tem música, dança, cinema e uma imensidade de atividades correlatas em torno das atrações musicais do Festival, que tradicionalmente abraça todos os gêneros musicais.

Grandes músicos como Miles Davis, Ray Charles, Count Basie, Bob Dylan, David Bowie e Prince proporcionaram aos frequentadores momentos inesquecíveis através de performances fulminantes.

São 16 dias de música de primeira grandeza rolando à beira do Lago Gênova, com 105 concertos nos 3 palcos principais, além de eventos paralelos em palcos improvisados em barcos, trens e pontos inusitados.

Confira a programação do Montreux Jazz Festival deste ano:








COM O FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ DE MONTRÉAL, COMEÇA A ALTA TEMPORADA DO JAZZ NO VERÃO 2017 DO HEMISFÉRIO NORTE

por Chico Marques
Todo ano, o verão em Montréal é cheio de música: as ruas do centro da cidade na província de Québec, no Canadá, são tomadas por shows, a maior parte deles gratuitos.
É o Montréal International Jazz Festival, o Festival Internacional de Jazz de Montréal, cuja 38ª edição começa nesta quarta, dia 28 de Junho de 2017.
Durante dez dias, cerca de 600 shows e 400 atividades são realizadas em 20 palcos, e participam do evento cerca de 3.000 artistas de 30 países.
Entre os convidados para a edição de 2017 constam nomes como Bob Dylan, Joss Stone, Buddy Guy, Arturo Sandoval e John Pizzarelli, além dos brasileiros Daniel Jobim e Rodrigo Amarante.

Estão programadas 150 apresentações em lugares fechados distribuídas por 11 teatros, e que estão distribuídas em 14 séries temáticas.

Mas tem muito mais do que isso: tem também as apresentações ao ar livre, espalhadas pela cidade, que acontecem do meio-dia à meia-noite, e que totalmente gratuitas.



O Festival Internacional de Jazz de Montréal …

UMA ENTREVISTA COM O GRANDE GUITARRISTA KENNY BURRELL, 85 ANOS RECÉM-COMPLETADOS

por Chico Marques

Kenny Burrell nasceu em Detroit, Michigan, em 31 de Julho de 1931, há exatos 85 anos. Quando era jovem, pensou em tocar banjo e ukelele como seu pai, ou em cantar no coro da Igreja como sua mãe. Mas como seu irmão mais velho tocava saxofone, ele começou a aprender guitarra para poder acompanhá-lo.
Burrell cresceu na cena musical de Detroit juntamente com craques como Donald Byrd, Yusef Lateef, Milt Jackson, Tommy Flanagan e vários outros. Sempre que algum artista de renome passava pela cidade, acabava levando com ele algum jovem artista promissor da cidade. Burrell deixou Detroit em 1950 a convite de Dizzy Gillespie, que o viu tocar, gostou do que viu e ouviu, e o contratou de imediato para uma tournée.
Mas ao final da tournée, Burrell deixou a banda de Gillespie para estudar música na Wayne State University, onde se formou em 1955. Substituiu Herb Ellis no Oscar Peterson Trio, e seguiu para Nova York, onde fixou residência, e deu início a uma carreira esspetacular, tan…

CLARICE LISPECTOR CONVERSA COM TOM JOBIM

Publicado originalmente na Revista MANCHETE, 21 de Setembro de 1968

Tom Jobim e eu já nos conhecíamos: ele foi o meu padrinho no Primeiro Festival de Escritores, quando foi lançado meu livro A maça no escuro. E ele fazia brincadeiras: segurava o livro na mão e perguntava: quem compra? Quem quer comprar?

Para este diálogo, marcamos às seis da tarde: às seis e trinta e cinco tocavam a campainha da porta. E era o mesmo Tom que eu conhecia: bonito, simpático, com um ar puro malgré lui, com os cabelos um pouco caídos na testa. Um uísque na mesa e começamos quase que imediatamente a entrevista.

- Como é que você encara o problema da maturidade? É terrível ter quarenta anos?

- Tem um verso do Drummond que diz: “A madureza, esta horrível prenda...” não sei, Clarice, a gente fica mais capaz, mas também mais exigente.

- Não faz mal, Tom, a gente exige bem.

- Com a maturidade a gente passa a ter consciência de uma série de coisas que antes não tinha, mesmo os instintos, os mais espontâneos, passam pelo…

PASSEANDO NO JARDIM COM MR. BIM (por Chico Marques)

O ano era 1985.
Brasília estava comemorando 25 anos, e o Governo do Distrito Federal decidiu promover no aniversário da cidade uma apresentação da Sinfonia de Brasília, composta por Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes em 1960 para a inauguração da nova capital.
Para isso, convocou o próprio Tom Jobim para coordenar uma revisão do arranjo da Sinfonia original -- um ítem pouco conhecido em seu songbook -- e reger a peça à frente da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília no dia 21 de Abril, diante do prédio do Congresso Nacional.
Vinícius de Moraes tinha morrido há menos de dois anos, e o resgate da peça, de certa forma, serviria como uma homenagem um pouco tardia, mas oportuna, à memória do poetinha.

Pois bem: minha irmã mais nova, Thaís Marques, pianista (hoje, professora de música em uma Universidade em Belo Horizonte), fazia parte da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília, e seguia todo dia para as dependências modernosas da Escola para participar dos ensaios que …