Skip to main content

Posts

Showing posts from July, 2016

CLARICE LISPECTOR CONVERSA COM TOM JOBIM

Publicado originalmente na Revista MANCHETE, 21 de Setembro de 1968

Tom Jobim e eu já nos conhecíamos: ele foi o meu padrinho no Primeiro Festival de Escritores, quando foi lançado meu livro A maça no escuro. E ele fazia brincadeiras: segurava o livro na mão e perguntava: quem compra? Quem quer comprar?

Para este diálogo, marcamos às seis da tarde: às seis e trinta e cinco tocavam a campainha da porta. E era o mesmo Tom que eu conhecia: bonito, simpático, com um ar puro malgré lui, com os cabelos um pouco caídos na testa. Um uísque na mesa e começamos quase que imediatamente a entrevista.

- Como é que você encara o problema da maturidade? É terrível ter quarenta anos?

- Tem um verso do Drummond que diz: “A madureza, esta horrível prenda...” não sei, Clarice, a gente fica mais capaz, mas também mais exigente.

- Não faz mal, Tom, a gente exige bem.

- Com a maturidade a gente passa a ter consciência de uma série de coisas que antes não tinha, mesmo os instintos, os mais espontâneos, passam pelo…

PASSEANDO NO JARDIM COM MR. BIM (por Chico Marques)

O ano era 1985.
Brasília estava comemorando 25 anos, e o Governo do Distrito Federal decidiu promover no aniversário da cidade uma apresentação da Sinfonia de Brasília, composta por Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes em 1960 para a inauguração da nova capital.
Para isso, convocou o próprio Tom Jobim para coordenar uma revisão do arranjo da Sinfonia original -- um ítem pouco conhecido em seu songbook -- e reger a peça à frente da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília no dia 21 de Abril, diante do prédio do Congresso Nacional.
Vinícius de Moraes tinha morrido há menos de dois anos, e o resgate da peça, de certa forma, serviria como uma homenagem um pouco tardia, mas oportuna, à memória do poetinha.

Pois bem: minha irmã mais nova, Thaís Marques, pianista (hoje, professora de música em uma Universidade em Belo Horizonte), fazia parte da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília, e seguia todo dia para as dependências modernosas da Escola para participar dos ensaios que …

CELEBRAMOS O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CHARLIE CHRISTIAN, O GUITARRISTA DE JAZZ QUE INVENTOU O SOLO DE GUITARRA

por Chico Marques


Não é exagero algum afirmar que Charlie Christian está para o jazz assim como Robert Johnson está para o blues.
Ambos foram guitarristas absolutamente inventivos, autodidatas pioneiros com um senso harmônico incomum.

Ambos morreram jovens demais:

Christian aos 25 anos.

Johnson aos 27.


Charlie Christian foi o guitarrista da Orquestra de Benny Goodman entre 1939 e 1942.
Por mais que sua musicalidade soe perfeitamente integrada aos padrões dos dias de hoje, é importante lembrar era tudo muito diferente na década de 1930, quando Christian introduziu um novo vocabulário ao ato de tocar guitarra.
Christian não só reinventou o instrumento como ainda o tranformou num ítem fundamental para qualquer formação de jazz, desde os combos básicos às big-bands e orquestras.

Foi, com toda a certeza, o primeiro guitar hero da história.

A guitarra que Charlie Christian tocava era uma Gibson ES-150, e ele a solava como se fosse um saxofone. 

Sua inspiração era o saxofonista tenor Lester Young, cuj…

SEJAM BEM-VINDOS À SINTONIA FINA ENTRE BRANFORD MARSALIS E KURT ELLING EM "UPWARD SPIRAL"

por Chico Marques


Discos em dueto entre cantores e músicos de sopro sempre foram uma espécie de porto seguro para músicos de jazz em geral.

São produções relativamente simples e confortáveis, ainda mais se houver familiaridade entre os músicos envolvidos.

Em alguns casos, o resultado acaba sendo surpreendente -- como nas fantásticas gravações de Stan Getz com Astrud Gilberto, e nos excelentes discos de colaboração entre Johnny Hartman com John Coltrane e de Nancy Wilson com Cannonball Adderley.


Daí, não é exagero algum afirmar que o que o saxofonista Branford Marsalis e vocalista Kurt Elling conseguiram realizar neste Upward Spiral(um lançamento Okeh Records) não deixa nada a dever aos trabalhos mencionados acima.

Mr. Marsalis tem uma longa experiência como sideman de cantores -- a começar por Sting, com quem trabalhou e excursionou em algumas ocasiões.

No entanto, até agora não tinha tido a oportunidade de dividir um LP inteiro com um único cantor, em condições de igualdade criativa.



Upward…

BRANFORD MARSALIS INTERVIEW FOR GUY RAZ (A BLOG SUPREME - NPR MUSIC)

Saxophonist Branford Marsalis, oldest son of New Orleans pianist and educator Ellis Marsalis, released an album with his quartet this week. He spoke to weekends on All Things Considered host Guy Raz about the failings of modern jazz, his hopes for the next generation and leaving New York City to move back to the South.

GUY RAZ: I have to ask you about the title of your new album: Four MFs Playin' Tunes.

BRANFORD MARSALIS: I have trouble naming albums, so when it gets time for the pressing of the CD, my managers call me and say, "All right, we're time-sensitive here. We need a title now." And I usually say something incredibly ridiculous or controversial, and they say, "That's the dumbest thing I've ever heard." And that gives me another week. We were in that situation again, and that phrase came from a writer who was at the session. He kept pressing me about what the concept of the record was, and I was trying to assure him that the record did not ha…