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Showing posts with the label Jazz Jive

COMEÇA NESTA QUINTA, DIA 10 DE AGOSTO, O MAIOR E MAIS AVENTURESCO FESTIVAL DE JAZZ DO BRASIL: O JAZZ NA FÁBRICA, NO SESC-POMPÉIA.

É com muito orgulho que o Sesc Pompeia recebe a sétima edição do Festival Jazz na Fábrica, uma celebração do gênero musical e todas suas vertentes. A programação busca evidenciar novos artistas, além de trazer nomes já consagrados da cena musical. Neste ano, a Fábrica da Pompéia abre suas portas para músicos e big bands de oito países: Brasil, Estados Unidos, Israel, Alemanha, África do Sul, Moçambique, Espanha e Gana. 1ª SEMANA Eddie Allen, Nenê Trio, Itamar Borochov e Hermeto Pascoal Com diversidade de estilos, formações e sonoridades do jazz, a programação do Festival começa no dia 10 de agosto com show do trompetista americano Eddie Allen. O músico, que se apresenta também nos dias 11 e 12, traz em seu estilo, inspirado no jazz de vanguarda de Chicago, na AACM (Associação para avanço de músicos em Chicago), vertentes fortes do reggae e sons urbanos, além de apresentar repertório baseado em seu trabalho mais recente Push (2014). A série de apresentaçõe...

ESCREVENDO COMO BIRD E MONK (por Roberto Muggiati)

(publicado originalmente no Estadão, 14/08/2010) É ingrato escrever sobre jazz. Dificilmente conseguimos traduzir a música em palavras. Há quem consiga. Um deles é o inglês Geoff Dyer, 52 anos, autor do romance "Jeff em Veneza, Morte em Varanasi" (Intrínseca). Dele já saíram no Brasil "Ioga Para Quem Não Está Nem Aí" e "O Instante Contínuo" (sobre fotografia), alé, de "Todo Aquele Jazz" (1991), talvez o melhor livro já escrito sobre o assunto. Em seu livro de poemas, "México City Blues" (1959), Jack Kerouac dizia: “Quero ser considerado um jazz poeta improvisando um longo blues numa jam session de domingo à tarde.” Kerouac era um “prosodista do bop” e tentava injetar em sua escrita a sintaxe do próprio jazz: as frases velozes e estratosféricas de Bird, os silêncios carregados de significado de Monk. Geoff Dyer investe menos na técnica do jazz e mais em sua emoção. " Todo Aquele Jazz " traz os perfis dos saxofonist...

MONTREUX JAZZ FESTIVAL CHEGA BOMBANDO EM SUA 51° EDIÇÃO

por Chico Marques Fundado em 1967 por Claude Nobs, o Montreux Jazz Festival rapidamente se tornou um grande evento para todos os amantes da música. Tem música, dança, cinema e uma imensidade de atividades correlatas em torno das atrações musicais do Festival, que tradicionalmente abraça todos os gêneros musicais. Grandes músicos como Miles Davis, Ray Charles, Count Basie, Bob Dylan, David Bowie e Prince proporcionaram aos frequentadores momentos inesquecíveis através de performances fulminantes. São 16 dias de música de primeira grandeza rolando à beira do Lago Gênova, com 105 concertos nos 3 palcos principais, além de eventos paralelos em palcos improvisados em barcos, trens e pontos inusitados. Confira a programação do Montreux Jazz Festival deste ano:

CLARICE LISPECTOR CONVERSA COM TOM JOBIM

Publicado originalmente na Revista MANCHETE, 21 de Setembro de 1968 Tom Jobim e eu já nos conhecíamos: ele foi o meu padrinho no Primeiro Festival de Escritores, quando foi lançado meu livro A maça no escuro. E ele fazia brincadeiras: segurava o livro na mão e perguntava: quem compra? Quem quer comprar? Para este diálogo, marcamos às seis da tarde: às seis e trinta e cinco tocavam a campainha da porta. E era o mesmo Tom que eu conhecia: bonito, simpático, com um ar puro malgré lui, com os cabelos um pouco caídos na testa. Um uísque na mesa e começamos quase que imediatamente a entrevista. - Como é que você encara o problema da maturidade? É terrível ter quarenta anos? - Tem um verso do Drummond que diz: “A madureza, esta horrível prenda...” não sei, Clarice, a gente fica mais capaz, mas também mais exigente. - Não faz mal, Tom, a gente exige bem. - Com a maturidade a gente passa a ter consciência de uma série de coisas que antes não tinha, mesmo os instintos, os mai...

PASSEANDO NO JARDIM COM MR. BIM (por Chico Marques)

O ano era 1985. Brasília estava comemorando 25 anos, e o Governo do Distrito Federal decidiu promover no aniversário da cidade uma apresentação da Sinfonia de Brasília , composta por Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes em 1960 para a inauguração da nova capital. Para isso, convocou o próprio Tom Jobim para coordenar uma revisão do arranjo da Sinfonia original -- um ítem pouco conhecido em seu songbook -- e reger a peça à frente da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília n o dia 21 de Abril, diante do prédio do Congresso Nacional. Vinícius de Moraes tinha morrido há menos de dois anos, e o resgate da peça, de certa forma, serviria como uma homenagem um pouco tardia, mas oportuna, à memória do poetinha. Pois bem: minha irmã mais nova, Thaís Marques, pianista (hoje, professora de música em uma Universidade em Belo Horizonte), fazia parte da Orquestra Jovem da Escola de Música de Brasília, e seguia todo dia para as dependências modernosas da Escola ...

CELEBRAMOS O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CHARLIE CHRISTIAN, O GUITARRISTA DE JAZZ QUE INVENTOU O SOLO DE GUITARRA

por Chico Marques Não é exagero algum afirmar que Charlie Christian está para o jazz assim como Robert Johnson está para o blues. Ambos foram guitarristas absolutamente inventivos, autodidatas pioneiros com um senso harmônico incomum. Ambos morreram jovens demais: Christian aos 25 anos. Johnson aos 27. Charlie Christian foi o guitarrista da Orquestra de Benny Goodman entre 1939 e 1942. Por mais que sua musicalidade soe perfeitamente integrada aos padrões dos dias de hoje, é importante lembrar era tudo muito diferente na década de 1930, quando Christian introduziu um novo vocabulário ao ato de tocar guitarra. Christian não só reinventou o instrumento como ainda o tranformou num ítem fundamental para qualquer formação de jazz, desde os combos básicos às big-bands e orquestras. Foi, com toda a certeza, o primeiro guitar hero da história. A guitarra que Charlie Christian tocava era uma Gibson ES-150, e ele a solava como se fosse um saxofone....